Onde a Arena vai mal…

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Foto: trivelo.uol.com.br

De alguns anos para cá, os campeonatos de futebol sofreram profundas mudanças, principalmente em relação ao número de equipes participantes. Como exemplo, podemos citar o principal torneio do futebol mundial, a Copa do Mundo de Seleções, que também passou por esse processo. No Mundial da Argentina, em 1978, foram dezesseis seleções em busca da Taça. Quatro anos mais tarde, na Espanha, vinte e quatro países brigariam pelo título. Dezesseis anos depois, no Mundial da França em 1998, foram 32 seleções disputando o posto de melhor país no mundo do futebol.

Me inspirei nos anos 70 para compor o título da coluna desta semana. Numa época em que a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), depois transformada na atual CBF, incluía clubes no campeonato nacional de futebol para agradar seus pares e afilhados políticos. Nada mais anti-desportivo, afinal de contas, o critério de favorecimento era baseado em interesses políticos e econômicos, e os aspectos técnicos iam para o espaço. Fato absolutamente lamentável e incompatível com o esporte. Por isso, à época, o povo criou o bordão: “Onde a ARENA vai mal, mais um clube no Nacional”

A atual decisão da Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL) foi o estopim para ativar minha memória, em relação à frase que dá título à minha coluna desta semana para o Jogo em Pauta.com, sua crônica esportiva on line. A Copa Libertadores passará a ter 42 equipes em 2017, além de uma final única, disputada em campo neutro. Assim como a Champions League. Além disso, a competição sul-americana terá início em fevereiro e terminará em novembro. Algo que o continente americano, por tradição, não está acostumado. Clubes, imprensa, torcida! Nunca se viu tal sistema implementado em terras sul-americanas.

E mais: será que existem 42 equipes de qualidade no continente americano, fazendo jus a um título tão importante quanto ao da Libertadores da América? Diante da “baciada” de clubes envolvidos, aposto que Símon Bolivar, o líder que lutou para que vários países do continente americano deixassem de ser colônias espanholas, deve estar se revirando no túmulo. No futebol, nem sempre a quantidade é sinônimo de qualidade. Espero sinceramente, ,mas com muito pessimismo, que esse aumento no número de clubes que disputarão a Libertadores não tenha impacto técnico e na qualidade apresentada no principal campeonato de futebol do continente americano.

Por Ivan Marconato para o site Jogo em Pauta (www.jogoempauta.com)

FUTEBOL MERCANTILIZADO

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Foto: CESAR GRECO/AG. PALMEIRAS/DIVULGAÇÃO

No final dos anos 90, Jean Marc Bosnan jogador belga que atuava pelo RFC Liege, recusou uma redução salarial em 75% dos seus vencimentos, que foi proposta pelo clube. Então, Bosnan foi colocado à venda pela equipe mediante uma indenização que girava em torno de 4 milhões de euros. Mas Bosnan chegou a um acordo com um outro clube, que não aceitou o pagamento da indenização. O jogador entrou na justiça, conseguiu rescindir o contrato e acertou sua transferência.

O caso foi emblemático para o futebol mundial. O episódio determinou o final do passe na Europa, e posteriormente no resto do mundo. No Brasil, a atitude de Bosnan teve efeitos na Lei Pelé, que extinguiu o passe no Brasil. Entretanto, essa mudança aconteceu apenas na teoria, ou seja, na nomenclatura. Afinal de contas, hoje em dia os jogadores tem em seus respectivos contratos os direitos federativos (o que em aspectos práticos é o mesmo que o passe) e os direitos econômicos (as multas rescisórias em seus respectivos contratos, ou seja, o mesmo que o valor do passe). E os jogadores, que com o final do passe se tornaram livres do clubes, arrumaram outra forma nada inteligente por sinal, para manter-se filiados à outra instituição, denominada de procurador, agente ou empresário. Ou seja, o atleta ainda continua “preso”, mas desta feita, na maioria dos casos, o dono é uma pessoa física, e não a pessoa jurídica vista na figura do clube.

Graças à baixa formação intelectual dos atletas, principalmente os brasileiros, os jogadores se prendem aos empresários. ( leia entrevista publicada no jogo em pauta com Hergos Couto, ex jogador e professor universitário que dá mais detalhes sobre esse assunto: ( http://www.jogoempauta.com/2016/08/12/ex-jogador-hoje-doutor/). Mas nem sempre, os tais agentes fazem bem ao esporte, pois estão interessados tão somente em vantagens financeiras. Aliás, é um exemplo clássico de que os jogadores receberam a tão sonhada ” liberdade”, com o fim do passe, mas se saber o que fazer com ela, continuam vinculados aos contratos mediante direitos federativos e econômicos. Em suma: pouca coisa mudou.

O impasse envolvendo todas essas nuances no momento atual do futebol brasileiro atende pelo nome do atacante palmeirense Gabriel Jesus. Em negociação com o Manchester City, o Palmeiras e o agente do jogador discutem sobre quem ficará com 22,5¨% dos direitos da venda do atleta ao clube inglês. O jogador defendeu o seu agente, e criticou a postura do presidente Paulo Nobre na negociação, afirmando que o clube teve uma postura egoísta. Entretanto, em declarações posteriores, Gabriel disse que suas palavras foram utilizadas pela imprensa de forma equivocada. O Palmeiras luta por seus direitos de clube formador, e os empresários também querem valer o contrato que possuem com o jogador. Nesse balaio todo, está o pobre torcedor, que vê seu ídolo “bater asas”rumo ao futebol europeu.

O episódio deixa bem claro que o futebol dos dias de hoje não pode apenas ser visto como esporte. Há muitos interesses administrativos, contratuais e, principalmente financeiros, que estão diretamente relacionados com o mundo da bola. O esporte mais popular do mundo é cada vez mais encarado como negócio, e suas nuances ultrapassam a paixão do torcedor e as quatro linhas do gramado. É o mundo da bola deixando de ser esporte para transformasse num lucrativo negócio para todos. Os únicos que infelizmente não lucram são os torcedores. Lamentável!

Por Ivan Marconato para o site Jogo em Pauta (www.jogoempauta.com)

PLANEJAMENTO OU PACIÊNCIA?

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Gilvan de Souza / Divulgação

Na sua história centenária, o Corinthians já passou por inúmeras glórias e crises terríveis. O Alvinegro de Parque São Jorge passou boa parte dos anos de seus primeiros cem anos de vida, sem ousar enxergar por cima dos muros do Parque São Jorge. Afinal de contas, conquistou o seu primeiro título nacional oitenta anos depois de sua fundação. Entretanto, o fato não diminui a importância, e nem desmerece as glórias do Corinthians no futebol brasileiro e mundial.

No final da década de 90, foram dois títulos brasileiros.  Um outro em 2005. Parcerias com empresas que modernizaram, trouxeram dinheiro, jogadores importantes e também dor de cabeça ao clube. Em 2007, foi rebaixado à série B. Voltou no ano seguinte, depois de uma estruturação administrativa e extremamente profissional.  Construiu uma das mais modernas arenas do país, tem um dos melhores programas de sócio torcedor entre os times brasileiros.

Em 2012, alcançou o tão sonhado objetivo de seu torcedor. Conquistou a Taça Libertadores da América e o Mundial de Clubes no Japão. Já havia conquistado o Mundial em 2000, mas sem cruzar o oceano atlântico. Para alguns, o título não era condizente à grandeza do clube. Entretanto, foi reconhecido, e está na história, por mais que existam argumentos contrários.

O fato é que desde 2002, o clube que se modernizou e apresentou um trabalho administrativo extremamente organizado, não consegue se desvencilhar da dependência de Tite. Evidentemente, pela competência, sucesso e títulos conquistados pelo treinador – os brasileiros de 2011 e 2015, além da Libertadores e do Mundial de clubes em 2012, a Recopa Sul-Americana e o Paulistão do ano seguinte-  nenhum outro treinador conseguiu tamanho sucesso a frente do alvinegro do Parque São Jorge.

E no último sábado mais um treinador sucumbiu aos maus resultados que o time não apresenta dentro de campo.  Ao ser derrotado para o Palmeiras, em plena arena em Itaquera, o presidente Roberto de Andrade demitiu o técnico Cristóvão Borges.   Embora o Corinthians nem esteja tão mal assim em termos de classificação no Campeonato Brasileiro – o time está na quinta posição, com 41 pontos ganhos, um ponto atrás do quarto colocado. E ainda assim, o Corinthians perdeu para o arquirrival, que é o líder da competição. Será que esse revés era motivo plausível para demitir o técnico?  Afinal de contas, foram apenas dezoito jogos, com sete vitórias, cinco empates e seis derrotas, com aproveitamento de 50,9%

Na verdade, o presidente corinthiano foi pressionado pelos torcedores, e segundo declarações do mesmo, era preciso tomar uma atitude, afinal de contas a responsabilidade era dele.  Sinceramente, não há como avaliar qualquer tipo de trabalho em três meses.  Cristóvão chegou ao Corinthians em 19 de Junho, e deixou o Corinthians no dia 17 de setembro. Se fosse um trabalhador comum, diria que o mesmo não teria sido aprovado no período de experiência.

O fato é que o auxiliar técnico Fábio Carille assumirá o time até o final da temporada. Carille foi auxiliar de outros treinadores que passaram pelo Corinthians, entre eles Mano Menezes, Adilson Batista e o próprio Tite.  Chegou ao Corinthians em janeiro de 2009, indicado por Mano, Carille também foi jogador, atuou como lateral esquerdo, inclusive com uma passagem relâmpago pelo próprio Corinthians, em 1995. Caberá a Carille a tarefa de dirigir o time até o final do ano.

Mas a reflexão que merece ser feita é: por que contratar Cristóvão, e não lhe dar tempo suficiente para trabalhar?   Em segundo lugar, por que demiti-lo depois de três meses de trabalho, sendo que sua contratação foi estudada, e seu nome foi consenso entre a diretoria de futebol como sendo o substituto mais qualificado para Tite, que deixou o clube para servir à Seleção “brasileira”?  Além disso, vale ressaltar que o elenco do Corinthians passou por várias mudanças, jogadores importantes foram negociados, reposições foram feitas, mas até o time engrenar e assimilar a filosofia do treinador, leva-se algum tempo. E o que faltou: planejamento ou paciência?  É preciso que Roberto de Andrade e sua diretoria venham a público se explicar, afinal de contas, Cristóvão Borges não é o único culpado. O Corinthians é um clube muito grande para que atitudes sem qualquer planejamento sejam tomadas por sua diretoria de futebol.

Por Ivan Marcoanto para o site Jogo em Pauta (www.jogoempauta.com)

MUDANDO A SIGLA

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FOTO ARQUIVO- CBF DIVULGAÇÃO

Sinceramente, a Confederação Brasileira de Futebol, CBF, batizada ironicamente de Casa Bandida do Futebol pelo jornalista Juca Kfouri, faz jus ao “apelido”. Entretanto, pelas atitudes tomadas pela entidade máxima do futebol brasileiro, além de bandida, podemos defini-la como alguém desprovido de critério e inteligência ao organizar o próprio negócio. Por isso, do alto da minha cara de pau, ou então, da minha criatividade, como gostam de dizer aqueles que nutrem carinho pela minha pessoa, ouso mudar o significado da sigla que politicamente representa o órgão máximo do futebol nacional.

Então, façamos um esforço ou um exercício de criatividade para melhor definirmos o que venha ser a CBF. Tomando por base suas recentes atitudes, a melhor definição para a sigla, pelo menos na visão deste que vos escreve, poderia ser Como Banalizar Futebol. A bem da verdade, algumas atitudes da CBF são pouco inteligentes com o próprio produto que ela comercializa. Produto este que pode ser subdividido em duas categorias: os campeonatos organizados pela entidade e a Seleção “brasileira”.

Dois recentes episódios protagonizados pela CBF me fazem chegar a essa conclusão. O primeiro deles se refere ao Campeonato Brasileiro. No mês passado, o país sediou a maior festa do esporte mundial, e o mundo todo tinha as atenções voltadas para a cidade do Rio de Janeiro, que sediou os jogos olímpicos. Mas a CBF, do alto de sua imponência administrativa, não paralisou os jogos do campeonato brasileiro durante a Olimpíada. Aposto que as partidas do Brasileirão perderam em relação aos outros eventos, em termos de interesse do público. A meu ver, uma atitude pouco inteligente, que banalizou o próprio produto da CBF, tendo em vista que Seleção Brasileira de Futebol, disputou a Olimpíada, buscando a inédita medalha de ouro, conquistada recentemente pela equipe de Rogério Micale. Diga-se de passagem, o único título que a Seleção Brasileira ainda não tinha em seu vitorioso currículo.

Nesta semana, mais uma prova da falta de critério e sensibilidade por parte da CBF, com a disputa entre Brasileirão e Seleção Brasileira novamente na berlinda. O time brasileiro disputando jogos da eliminatórias da Copa do Mundo da Rússia, mas desta feita, os jogos do Campeonato Brasileiro foram paralisados – embora a maioria dos atletas convocados para a Seleção não atuem por times brasileiros. Perceberam a falta de critério? Logo, a CBF desvaloriza dois de seus principais produtos, o campeonato brasileiro e a seleção de futebol

É por essas e outras que os clubes do futebol brasileiro precisariam se libertar da CBF. Seria muito mais prático e cômodo que a entidade cuidasse apenas dos interesses da Seleção, deixando os clubes livres para que os mesmos organizassem suas próprias ligas, administrando seus torneios e campeonatos longe da interferência da Confederação. Só assim, a entidade deixará de ser motivo de ironia por parte de colunistas malucos como este que vos escreve que ousam mudar o significado de sua sigla.

Por Ivan Marconato para o site Jogo em Pauta (www.jogoempauta.com)

APOCALIPSE LUSITANO

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Foto: Ricardo Veras/Jogo em Pauta

Antigamente, na volta para casa, após um jogo, brincava com quem estivesse comigo, fracionando o preço do ingresso pelo número de gols e emoções que a partida havia nos proporcionaram. Há um bom tempo não consigo fazer essa brincadeira e pior que isso, hoje, ao ouvir o vendedor de capa de chuva pedindo cinco reais nela, comprar um Pastel de Santa Clara pelos mesmos cinco reais e lembrar que a meia entrada da minha mãe teve o mesmo custo, cheguei a conclusão que esta mais fácil desenvolver um artigo falando da cor, aroma, temperatura e sabor do pastel, do que sobre o jogo do mesmo custo, porém sem o mesmo benefício.

O fato é que futebol de cinco reais, já é um futebol falido, pois nem o guardador de carro está aceitando esse valor e triste, triste mesmo, é ver que a produção do time não vale mais que isso.

Não quero ofender os profissionais envolvidos com a frase acima, mas expressar o quão fundo do poço, sem escada nem corda, o torcedor da Portuguesa vê a situação atual e futura do seu clube, se é que existe.

Sei que potências mundiais tiveram seu tempo e ruíram, como Babilônia, Egito e Roma, por exemplo. Sei de famílias nobres que faliram e de clubes que fecharam. Mas a Lusa, por mais que se enquadre em clube de colônia, com todos as barreiras que isso sempre gerou, é Vice´Campeã Brasileira, com endereço numa cidade de cerca de 20 milhões de habitantes. Será que uma boa administração não angariaria 5% destes habitantes para sua torcida?

Lemos ontem na internet que a Lusa é a 22ª marca esportiva no futebol brasileiro. Note que na divisão de séries, o time esta jogando na turma entre 41 e 60. Esse tipo de leitura dos fatos só me faz carimbar em uma palavra, as administrações nebulosas que transitam pelo Canindé há anos: Incompetentes.

Isto antes de citar o que passa na cabeça de todos nós, incompetência direcionada.

Perceberam que não falei da partida. Para que? Por que falar? O fato é que estamos há duas rodadas do fim do campeonato, quatro pontos atrás da luta pela sobrevivência na Serie C.

É uma UTI, com direito a extrema unção, totalmente cegados quanto ao futuro.
Uma torcia órfã, onde, como numa UTI, os poucos mais íntimos visitam, com outros íntimos, sem coragem da visita, e eu os entendo.

Por Ricardo Veras para o site Jogo em Pauta (www.jogoempauta.com)

SÃO PAULO CAOS CLUBE!

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Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net

Um enorme transatlântico sem rumo! Um amontoado de jogadores mais ou menos, de qualidade futebolística duvidosa, também comandados por um treinador mais ou menos. Além disso, um presidente mais ou menos, acompanhado por diretoria mais ou menos, com membros absolutamente omissos A única coisa que está mais para menos do que para mais é o futebol apresentado, ou então, a falta dele dentro das quatro linhas. E a situação vem se repetindo ao longo dos anos. Mais precisamente desde 2008, quando o time conquistou o tricampeonato brasileiro de forma seguida.

Ainda na década passada, em 2005 a conquista dos títulos da Libertadores e do Mundial de clubes. E a diretoria, outrora vencedora em todos os aspectos, resolveu perpetuar-se no poder. Mudaram, à base da canetada, o estatuto do clube para continuar dando as cartas no São Paulo. No sábado passado, aliado à falta de futebol apresentado, um protesto em frente ao centro de treinamento do clube foi realizado. A torcida uniformizada invadindo dependências técnicas do time, ao invés de protestar no lugar adequado para tal: a arquibancada. Jogadores cobrados publicamente, alguns inclusive, chegaram a “dialogar” com aqueles que se denominam como torcida.

A grande verdade é que o São Paulo apequenou-se nos últimos anos. Viu seus grandes adversários da capital paulista, construírem arenas mais modernas e imponentes que o então “maior estádio particular do mundo”. O São Paulo, de clube mais moderno da América do Sul, parou no tempo e no espaço. O reflexo da incompetência administrativa se dá dentro de campo. Dois treinadores abandonando a equipe com o contrato em andamento, investimento em jogadores que não trouxeram o retorno desejado. A eliminação da Taça Libertadores da América.
Décimo primeiro colocado no Campeonato Brasileiro. Vinte e oito pontos ganhos, e apenas quatro pontos à frente da zona de rebaixamento. Poucos torcedores nas arquibancadas! O que uma mudança no estatuto de um clube não faz.

A perpetuação do poder, pleno reflexo do caos, um navio sem rumo e um time sem futebol. E não há tempo para lamentações, afinal na próxima rodada do Brasileirão, o São Paulo pega o Palmeiras. Será que existe algum equilíbrio nessa partida? O futebol é surpreendente, mas o torcedor são-paulino tem tudo para temer o clássico. Serão dias sombrios e complicados para o preocupado torcedor tricolor. Um time sem rumo: esse é o atual momento do São Paulo, um clube em pleno caos.

Por Ivan Marconato para o site Jogo em Pauta (www.jogoempauta.com)

FINALMENTE, O OURO!

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FOTO:LUCAS FIGUEIREDO MOWA/ PRESS_PAGINAOFICIAL

Brasil e Alemanha, que juntos já venceram nove Copas do Mundo, nunca conquistaram uma medalha de ouro no torneio olímpico de futebol. A final do futebol na Rio 2016, começou movimentada no estádio do Maracanã, com as duas equipes mostrando muita vontade e aplicação tática; os jogadores demonstrando empenho nas jogadas de marcação e procuravam partir em velocidade para o campo de ataque. Ao final do jogo, na cobrança de penalidades máximas, depois do empate no tempo normal e na prorrogação, a Seleção Brasileira de Futebol , finalmente quebrava o tabu conquistando a medalha de ouro olímpica.

No início da partida, tanto Brasil quanto Alemanha procuravam o gol, mas esbarravam na eficiente marcação adversária. Tanto é que o primeiro lance efetivo de gol aconteceu apenas aos 10 minutos do primeiro tempo. Brandt arriscou de fora da área e a bola bateu no travessão do goleiro Weverton. Embora a Alemanha tenha criado a melhor chance de gol da partida até aquela altura do jogo, a Seleção Brasileira se mantinha bem postada em campo. Aos 13 minutos Luan recebeu passe de Douglas Santos, e da marca do pênalti não conseguiu força para arrematar.
Aos 17 minutos da primeira etapa, o Brasil desperdiçou cobrança de falta, interceptada pela defesa Alemã. Na sequência, Luan cruzou da esquerda, e a defesa alemã cedeu escanteio. Neymar fez a cobrança, e a defesa germânica afastou novamente. Todas as jogadas de meio-campo e ataque da Seleção passavam pelos pés de um jogador: Renato Augusto. O mais participativo no jogo até então.

Os alemães não conseguiam passar do meio-campo, enquanto os brasileiros desperdiçavam chances de arrematar ao gol. Aos 25 minutos, Neymar tentou puxar ataque, mas foi derrubado por Matias Ginter. A 28 metros da meta do goleiro Horn, Neymar cobrou com maestria, com a chapa do pé direito, Horn chegou atrasado, a bola beliscou o travessão antes de morrer no gol alemão. Brasil 1 x 0.

Aos 30 minutos, Gnabry tentou invadir a área pelo lado esquerdo da defesa brasileira, foi derrubado por Zeca, que levou cartão amarelo. Na cobrança, a bola passou pela extensão da área brasileira, na sobra Mayer bateu forte, de pé direito da marca do pênalti e Weverton fez excepcional defesa. Aos 33 minutos, Gabriel Jesus foi ajudar o setor defensivo e fez bobagem, derrubou Mayer no lado direito do ataque alemão. Após cobrança de Brandt, Selke livre de marcação, cabeceou a bola carimbando o travessão brasileiro.

A Seleção Brasileira procurava valorizar a posse de bola, trocando passes no campo de ataque, fazendo o tempo passar. E a Alemanha continuava assustando, aos 42 minutos do primeiro tempo, Meyer novamente chutou de fora da área, e Weverton defendeu após desvio em Rodrigo Caio. E o primeiro tempo terminava de forma burocrática, com as duas equipes desperdiçando muitas chances de gol, e o Brasil tendo marcado em lance de bola parada.
No último lance de ataque da primeira etapa, Gabriel foi lançado em profundidade no lado direito do ataque, mas Klostermann afastou o perigo. Em cobrança de escanteio, o Brasil não chegou a assustar, antes do apito final do árbitro.

No início da segunda etapa, o jogo continuou amarrado, com poucas chances de gol de ambas as equipes, por conta da forte marcação desenvolvida pelos times no setor de meio campo. Logo a um minuto da segunda etapa, Neymar foi tentar ajudar a defensiva brasileira, e cometeu falta em Klostermann. Gnabry chutou em cima da barreira, e no rebote Selke arrematou longe do gol de Weverton.

Os atacantes brasileiros carregavam a defensiva da Alemanha de faltas. Aos 5 minutos a segunda etapa, foi a vez de Bender derrubar Gabriel Jesus. Aos sete minutos, Neymar arrancou em velocidade pelo lado direito do ataque brasileiro, mas foi interceptado por Klostermann. A Alemanha continuava pressionando, desta vez pelo lado esquerdo do ataque. Gnabry não conseguiu domínio de bola a frente de Zeca.

Aos 13 minutos do segundo tempo, depois de duas saídas de bola erradas, a Alemanha chegaria ao empate. Mayer recebeu cruzamento da direita, a zaga brasileira ficou parada e o camisa sete da Alemanha empatou a partida. Faltava 30 minutos para o término do jogo, e a esse ponto da partida, a mesma encontrava-se indefinida. Renato Augusto, acertou chute cruzado, de fora da área, de pé esquerdo, mas o arremate saiu à direita do gol do Horn. Na sequência, Renato Augusto cruzou rasteiro da esquerda e Gabriel Jesus definiu fraquinho, a bola saiu pela linha de fundo.

Aos 22 minutos do segundo tempo o treinador alemão Horst Hrubesch, fez a primeira alteração. Bender saiu para a entrada de Proemel. Aos 25 minutos, Renato Augusto, muito participativo, tentou jogada pelo lado esquerdo da ofensiva brasileira, e conseguiu escanteio. Neymar cobrou e a zaga afastou. Na sobra, Luan fez corte em Suele, mas perdeu o equilíbrio e a chance de ampliar o marcador.
Aos 32 da segunda etapa, outra falta para o Brasil. Em jogada ensaiada, Neymar serviu Rodrigo Caio, que de cabeça cedeu passe para o centro da área, mas a zaga alemã levou a melhor. A Alemanha respondeu com conclusão de Klostermann, afastada pelo lateral Douglas Santos. A essa altura do jogo, muitos nervosismo de ambas as equipes aliado aos erros de passes.

O Brasil pressionava. Aos 33 minutos, Neymar lançou Felipe Anderson, que invadiu a área, mas demorou a chutar para o gol, e acabou desarmado pela zaga alemã. Na sequência, o próprio Felipe Anderson perdeu nova chance de finalizar a gol. A Alemanha tentava segurar a posse da bola no ataque, enquanto o Brasil buscava o contra-ataque. Aos 35 minutos, foi a vez de Gabriel Jesus finalizar errado após passe de Felipe Anderson. Ao passar do tempo, a Alemanha demonstrava frieza e o Brasil desespero. As duas equipes não conseguiam chegar ao gol, e a partida iria para a prorrogação.

Nos trinta minutos de prorrogação, o Brasil começou desperdiçando uma grande chance. Luan puxou contra-ataque, partindo com a bola dominada, chegou fintar o zagueiro alemão, mas perdeu a posse de bola. A Alemanha respondeu na sequência. Pettersen lançou Brandt, que definiu por cima da trave de Weverton. A Alemanha tocava bola no campo de defesa, enquanto o Brasil pressionava na marcação. Nenhuma das duas equipes queria arriscar, com receio de ser surpreendida e sofrer o gol. No primeiro tempo da prorrogação, o Brasil nem chegou a assustar a Alemanha.
Logo no primeiro lance do segundo tempo da prorrogação, Neymar lançou Felipe Anderson, que tentou deslocar o goleiro Horn, que saiu do gol e conseguiu impedir o gol brasileiro. A Alemanha tentou responder com Brandt, mas o avante alemão já sem força física, não conseguiu definir. A Seleção trocava passes laterais, mas não tinha sucesso para penetrar na defesa alemã. Por conta disso, Neymar tentou chute de fora da área, de pé direito e do lado esquerdo do ataque brasileiro, mas a bola subiu demais.

O time alemão, extremamente desgastado, evitava subir ao ataque e trocava bola no campo de defesa. A Seleção Brasileira então, adiantou a marcação para o campo e ataque. Rafinha recebeu bola na esquerda, definiu em cima da zaga alemã, e ganhou escanteio. O time da Alemanha defendia muito, em compensação não conseguia partir para o ataque, tendo em vista o cansaço físico evidente. A tônica dos minutos finais da prorrogação teve o Brasil atacando, e a Alemanha se defendendo. Mas o jogo terminaria empatado e a conquista da medalha de ouro seria definida na cobrança de pênaltis.

Nas cobranças, a Alemanha começou a série de cinco penalidades. Ginter bateu, Weverton acertou o canto, mas a bola entrou. Renato Augusto foi o primeiro cobrador brasileiro. O meia brasileiro bateu forte, à meia altura, e o goleiro Horn não alcançou. Gnabry bateu o segundo da Alemanha, Weverton acertou o canto, mas não segurou. O Zagueiro Marquinhos foi outro que deixou o seu, deslocou o goleiro Horn, que nem na fotografia apareceu.
Na terceira cobrança alemã, Brandt fez o mesmo com o goleiro Weverton, que nem saiu na foto. Rafinha também bateu com categoria, e Horn não conseguiu defender. O zagueiro Suele bateu mais um pênalti para Alemanha, Weverton acertou o canto, mas não conseguiu impedir o gol.

O quarto pênalti brasileiro foi cobrado com Luan. Ele deslocou Horn, goleiro de um lado, bola para o outro. Petersen bateu o último pênalti para Alemanha, no canto esquerdo e Weverton defendeu. Neymar, o melhor jogador brasileiro da atualidade, ficou com a responsabilidade de definir. Ele tomou distância e com paradinha, bateu no canto esquerdo, e Horn que escolheu o canto esquerdo, não conseguiu defender.

Finalmente, depois de mais de um século de espera, o Brasil, comandado pelo técnico Rogério Micale, conquistava a primeira medalha de ouro para o futebol olímpico brasileiro. Enfim, a superação de dois traumas no futebol brasileiro. A medalha de ouro e a Alemanha. Ambos foram superados.

Por Ivan Marconato para o site Jogo em Pauta (www.jogoempauta.com)

DIVERGÊNCIA OLÍMPICA

Uma divergência! Afinal de contas é inconcebível, pelo menos para este que vos escreve, o país sediar a maior festa do esporte mundial, e ao mesmo tempo, realizar jogos do Campeonato Brasileiro de Futebol. Uma incongruência sem pé, tampouco cabeça, imaginar jogos do Brasileirão com a Olimpíada em pleno andamento, “pegando fogo” na cidade do Rio de Janeiro. São recordes e mais recordes sendo quebrados, lendas do esporte presentes em território nacional, e a “dona” (da verdade) CBF, insistindo na ideia, bem cretina a bem da verdade, de manter o calendário do futebol nacional, não paralisando as partidas do Brasileirão durante a Olimpíada.

Um motivo fortíssimo que pode muito bem explicar o fato do Brasil ser pentacampeão mundial de futebol, mas nunca ter conquistado uma medalha de ouro na Olimpíada. Existem alguns jornalistas esportivos que defendem a ideia da exclusão, total e definitiva, do futebol masculino entre as disputas olímpicas. Sinceramente, pela maneira que o torneio olímpico de futebol é organizado, com algumas seleções nem sequer levando seus principais atletas à Olimpíada, não seria mais interessante suprimir a disputa do futebol masculino dos jogos? A impressão que eu tenho é que algumas seleções disputam o torneio olímpico de futebol por uma pura e simples obrigação.

Já escrevi sobre isso na coluna de título “Causa e efeito”, explicando os motivos pelos quais o Brasil ainda não conquistou o ouro olímpico no futebol. É óbvio que o desejo na obtenção da medalha de ouro no futebol não passa de “conversa mole”; se não o fosse, o Brasileirão seria paralisado, e os melhores em cada posição fariam parte dos convocados para a disputa da Olimpíada.

Além do mais, os salários astronômicos dos jogadores de futebol, aliados à fama exagerada de alguns, é completamente incongruente com o lema e o espírito presente nos jogos olímpicos, que busca valorizar a disputa e a união entre os povos. Basta lembrarmos que, no futebol brasileiro, a cultura mostra que tanto faz ser vice campeão, ou último colocado em um campeonato. Tal pensamento, em última análise, transformaria uma eventual conquista de medalha de prata ou bronze, num sonoro prêmio de consolação- com o gosto amargo de cabo de “guarda-chuva” na boca. São poucas, mas fortíssimas razões, que nos mostram que a presença do futebol nos jogos olímpicos não passa de uma divergência olímpica.

Por Ivan Marconato para o site Jogo em Pauta (www.jogoempauta.com)

BRASIL VENCE COLÔMBIA E AVANÇA NA RIO-2016

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Foto: Reprodução/Facebook CBF – Confederação Brasileira de Futebol – oficial

Em jogo fraco, disputado no último sábado na Arena Corinthians, Brasil e Colômbia se enfrentaram pelas quartas-de-final do torneio olímpico de futebol da RIO -2016. E a Seleção Brasileira, pelo menos em termos de resultado, correspondeu às expectativas, vencendo o jogo, e classificando-se às seminais da Olimpíada.

O contraste foi visto nas arquibancadas, um público excelente na Arena Corinthians, para acompanhar um jogo de futebol muito fraco. E aos 11 minutos do primeiro tempo, a Seleção Brasileira daria seu cartão de visita. Neymar cobrou falta, contando com a colaboração da barreira colombiana, abrindo o marcador para o Brasil.

O jogo estava amarrado, com o árbitro parando as jogadas a todo minuto por conta do excesso de faltas cometidas por ambas as equipes. No decorrer da primeira etapa, a Colômbia teria mais posse de bola, mas não conseguia arrematar ao gol brasileiro. Aos 27 minutos, o Brasil protagonizaria um lance ofensivo. Neymar iniciou jogada, cedendo passe a Luan, que de fora da área, bateu forte mas sem direção.

Aos 35 minutos, o Brasil continuava atacando mais; foram três lances ofensivos, interceptados pela defesa colombiana. Após boa troca de passes, Gabriel ajeitou para Renato Augusto chutar de fora da área, mas a bola passou longe do gol. Num dos raros lances de ataque da Colômbia, Pabón recebeu passe e invadiu a defesa brasileira. O colombiano acertou bom chute com a perna esquerda, de fora da área, mas sem direção. Quatro minutos mais tarde, o árbitro foi obrigado a intervir para separar confusão entre jogadores brasileiros e colombianos. Neymar cometeu falta violenta, e foi advertido com o cartão amarelo. Na sequência, os dois capitães foram chamados e advertidos pelo árbitro. No último lance da primeira etapa, Barrios fez falta em Neymar, e também levou o cartão amarelo.

No segundo tempo, o Brasil começou melhor. Neymar chutou de fora da área, o goleiro colombiano Bonilla rebateu, mas Gabriel não aproveitou o rebote porque estava em posição de impedimento. Aos 9 minutos da segunda etapa, Luan invadiu a área colombiana, a bola tocou o braço do zagueiro colombiano; e mesmo sob protestos dos brasileiros, o árbitro nada marcou. Na sobra, Renato Augusto chutou de fora da área e a bola saiu pela linha de fundo.

O Brasil insistia nas jogadas ofensivas, mas não conseguia marcar. Aos 12 minutos do segundo tempo, a Colômbia atacaria mais uma vez, entretanto sem sucesso. Pabón acertou chute de pé direito, e a bola saiu pela linha de fundo. A essa altura da partida, os colombianos tinham mais posse de bola, enquanto a Seleção Brasileira explorava os contra-ataques.

Aos 20 minutos do tempo final, o Brasil atacaria novamente. Rodrigo Caio, de cabeça, obrigou o goleiro Bonilla a fazer boa defesa. A Seleção Brasileira mostrava aplicação tática, com forte marcação no meio-campo, valorização da posse de bola e saída rápida para os contra-ataques. Aos 38 minutos do tempo final, a Seleção Brasileira faria o segundo gol, dando números finais ao jogo. Luan recebeu passe na intermediária ofensiva, partiu com a bola dominada, percebeu Bonilla adiantado, e chutou de fora da área para marcar mais um gol para o Brasil.

Agora, a Seleção Brasileira vai às semifinais do torneio olímpico de futebol. O Brasil enfrentará o time de Honduras, no dia 17 de agosto, às 13 horas, quarta-feira, no estádio do Maracanã.

FICHA TÉCNICA
Brasil 2 x 0 Colômbia
Local: Arena Corinthians, São Paulo (SP)
Data: 13/08/2016
Horário: 22h (de Brasília)
Árbitro: Cuneyt Cakir (Turquia)
Gols: Neymar, aos 11 minutos do 1º tempo, e Luan, aos 38 minutos do 2º tempo
Cartões amarelos: Neymar (Brasil); Palacios, Lerma, Barrios, Preciado, Miguel Borja e Teo Gutiérrez (Colômbia)
Brasil: Weverton; Zeca, Marquinhos, Rodrigo Caio e Douglas Santos; Renato Augusto e Walace; Gabigol (Thiago Maia), Luan e Gabriel Jesus (Rafinha); Neymar. Técnico: Rogério Micale
Colômbia: Bonilla; Palacios, Balanta, Tesillo e Cristian Borja; Barrios (Pérez), Lerma, Roa (Rodríguez) e Pabón; Teo Gutiérrez e Preciado (Miguel Borja). Técnico: Carlos Restrepo.

Por Ivan Marconato para o site Jogo em Pauta (www.jogoempauta.com)

Neymar, mais 10 e outras dúvidas?

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Foto: Reprodução/ Facebook CBF – Confederação Brasileira de Futebol – oficial

Depois de dois jogos modorrentos, passíveis de críticas plenamente justificáveis, de toda a crônica esportiva, inclusive da eterna parceira da Seleção – Rede Globo, e seu mais ufanista represente, Galvão Bueno-, o Brasil encerrou sua participação na primeira fase do torneio olímpico de futebol da Rio -2016. O Duelo entre Brasil x Dinamarca, marcou o confronto de dois tri-vices olímpicos; afinal de contas, tanto Brasil, quanto Dinamarca conquistaram por três vezes a medalha de prata na história do futebol masculino nos jogos olímpicos.

O técnico brasileiro, Rogério Micale, afirmara em entrevistas antes do jogo desta quarta-feira, que colocaria o time no ataque. E o resultado final do duelo contra a Dinamarca, mostrou que o treinador foi tão ousado na prática, quanto demonstrou na teoria; principalmente por conta das declarações anteriores à partida. Entretanto, muitos desconfiavam do que dizia o treinador.

Principalmente, depois do que a Seleção apresentou em seus dois primeiros jogos – um empate modorrento contra o Iraque, assim como já havia sido contra a África do Sul. O Brasil não sofrera, mas também não marcara gols. Tite, técnico da Seleção Brasileira Principal, preocupado com os rumos da Seleção Olímpica, foi conversar com o técnico Rogério Micale, e também com os jogadores. Mas será que a visita adiantou, surtiu efeito? Em matéria de futebol, é bem provável que o diálogo tenha surtido efeito. Afinal de contas, o Brasil goleou a Dinamarca por 4 a 0.

Durante o jogo, o time brasileiro efetuou boas tramas ofensivas, além de não sofrer sustos. O goleiro Weverton, sequer participou do jogo. Além disso, a torcida baiana que lotou a Arena Fonte Nova, colaborou, e muito. Afinal de contas, durante toda a partida, não se ouviam vaias vindas das arquibancadas.

E dentro de campo, o Brasil correspondeu. Aos 26 minutos da primeira etapa, Gabriel Barbosa fez o primeiro gol brasileiro na Olimpíada. Douglas Santos fez cruzamento do lado esquerdo, a bola passou pela zaga dinamarquesa e por Luan, que não acharam a bola. Mas Gabriel sim, achou a redonda. Gabigol, livre de marcação, empurrou para as redes. Foram mais de 180 minutos para que o Brasil marcasse o seu primeiro gol nos Jogos Olímpicos.

Gabriel Jesus, ampliou o marcador para o Brasil. Luan recebeu de Gabriel e cruzou da direita, e Gabriel Jesus, cara a cara com o goleiro, empurrou para o gol. Incrível. Em pouco mais de 40 minutos de jogo, o Brasil fazia o que não havia feito em 180, ou seja, dois gols. No segundo tempo da partida, Luan marcou o terceiro. Neymar cedeu passe para Douglas Santos, que novamente cedeu para Luan marcar o dele. Três a zero para o Brasil. Aos 35 da segunda etapa, o Brasil faria o quarto gol, dando números finais ao jogo. Gabriel Jesus começou a jogada, cedeu passe a Gabriel Barbosa do lado esquerdo do ataque brasileiro. E usou o pé esquerdo para bater cruzado, e fuzilar o goleiro dinamarquês.

4 a 0 para o Brasil, que produziu em um jogo, o que não havia feito em duas partidas na Olimpíada. Mas e o craque do time? Neymar, considerado por muitos o melhor jogador do futebol brasileiro, passaria em branco! Ainda não marcou um gol sequer nos Jogos Olímpicos. Será que o camisa dez do Barcelona, e da própria Seleção, é tão fundamental assim para o time brasileiro? Por que o rendimento de Neymar atuando pela Seleção, é inferior ao desempenho por ele apresentado vestindo a camisa do Barcelona? Será que, depois dos 4 a 0 diante da Dinamarca, o Brasil pode conquistar o tão sonhado ouro olímpico? São dúvidas que ainda pairam sobre a minha cabeça. Mas uma coisa é certa: o desempenho em relação aos dois primeiros jogos foi superior. Só espero que no decorrer dos jogos, e o próximo é eliminatório contra a Colômbia, no sábado, na Arena Corinthians, diante da torcida paulista – tão exigente com relação ao futebol apresentado-, seja tão satisfatório quanto fora esta do jogo contra a Dinamarca.

Por Ivan Marconato para o site Jogo em Pauta (www.jogoempauta.com)