FELIPE MASSA: ADEUS A FÓRMULA 1 NO FINAL DO ANO

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Foto: Divulgação/Williams Racing

Um dos mais experientes pilotos do grid anuncia sua aposentadoria no final da temporada de 2016. Felipe Massa, piloto brasileiro de 35 anos, com mais de 240 GPs na carreira e passagem por equipes de ponta, revelou nesta quinta-feira (01), em uma coletiva em Monza, na Itália, que sua última corrida pela F1 será no dia 27 de novembro, em Abu Dhabi.

Felipe começou sua carreira automobilística muito cedo. Aos oito anos de idade ele começou a pilotar no kart, mas suas habilidades foram rapidamente percebidas e o piloto logo foi campeão pela Fórmula Renault europeia e italiana em 2000 e pela Fórmula 3000 europeia em 2001, antes de chegar à maior categoria do automobilismo. As vitórias de Massa chamaram a atenção da Ferrari que assinou contrato com ele o colocou na Sauber. Em seu ano de estreia pelo time suíço, Massa acabou contrariando o antigo chefe da equipe, Peter Sauber, ao se recusar a dar posição ao companheiro Nick Heidfeld em uma corrida, perdendo lugar na equipe na temporada seguinte. Com isso, teve que passar o ano de 2003 apenas como piloto de testes da Ferrari.

Em 2004, Felipe ganhou uma vaga nos assentos principais da Sauber e, com o anuncio da saída de Rubens Barrichello da Ferrari, Massa logo foi transferido para a escuderia italiana para formar dupla com um de seus maiores ídolos do automobilismo, Michael Schumacher. Felipe, inclusive, revelou que resolver anunciar sua aposentadoria na Itália justamente porque foi o mesmo que Schumacher fez há dez anos.

“Porque eu escolhi anunciar minha aposentadoria em Monza não é por acaso. Dez anos atrás, aqui em Monza, um piloto anunciou que também não correria mais pela F1 e esse piloto é o que mais influenciou a minha carreira automobilística, Michael Schumacher”, disse Massa

Na Ferrari, o brasileiro passou por momentos únicos. Massa se tornou um piloto competitivo e, após a aposentadoria do heptacampeão do mundo, brigou com Kimi Raikkonen pelo mundial de 2007, mas, no final, acabou ajudando o finlandês a conquistar o título. Em 2008 o brasileiro atingiu seu auge na maior categoria do automobilismo, brigando ponto a ponto com Lewis Hamilton pelo mundial e protagonizou uma das disputas de campeonato mais emocionantes da história da F1. Na ocasião, Massa havia vencido o GP do Brasil, sua última vitória na F1, mas perdeu o título, por apenas 1 ponto, quando Hamilton ultrapassou Timo Glock na última curva do circuito de Interlagos.

Em 2009, Felipe sofreu o acidente mais grave de sua carreira. Uma mola soltou-se do carro de Rubens Barrichello durante o treino classificatório para o GP da Hungria e acabou acertando em cheio a cabeça do piloto, que ficou gravemente ferido e perdeu parte da temporada daquele ano. No entanto, Massa ressaltou que o acidente na Hungria não foi sua pior memória na carreira, mas sim quando se envolveu em um acidente com a Renault de Nelsinho Piquet, em 2008, que lhe custou, segundo o piloto, não só a vitória no GP de Cingapura, mas o título mundial daquele ano. Voltando às pistas em 2010, Felipe conseguiu a 2ª colocação no GP de Bahrein e logo em seguida mais um pódio na Austrália, mas logo começou a sofrer a pressão do seu então novo companheiro de equipe na Ferrari, Fernando Alonso.

“Se não fosse aquele incidente [GP de Cingapura de 2008], eu teria vencido o campeonato mundial e eu sei que não foi possível vencer não por problemas com o piloto ou com a equipe, então, isso é mais difícil ainda de aceitar”, revelou Felipe.

Massa até conseguiu ser tão competitivo quanto o espanhol, mas, a partir de 2013, o piloto brasileiro começou a cair de rendimento e anunciou que a temporada de 2014 não faria mais parte da escuderia italiana. Se transferindo para a Williams para a temporada de 2014, ao lado do finlandês Vallteri Bottas, Massa até conseguiu algumas boas atuações como, por exemplo, no GP da Áustria de 2014, quando desbancou as dominantes Mercedes no treino classificatório e conquistou a pole position. Foi a primeira pole de Massa desde aquele do GP do Brasil de 2008. Desde então, o brasileiro foi outras cinco vezes ao pódio com a Williams, mas acabou ficando limitado pela falta de recursos apresentados pela equipe inglesa.

Assim, Felipe Massa encerra sua carreira totalizando 14 temporadas na F1. Até o momento foram 242 corridas, 11 vitórias e 41 pódios, além de 16 pole positions e 15 melhores voltas, sendo o quarto brasileiro com mais triunfos, empatado com Rubens Barrichello, e atrás apenas de Ayrton Senna (41), Nelson Piquet (23) e Emerson Fittipaldi (14).

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Foto: Divulgação

OBRIGADO, FELIPE MASSA!

Foram 14 anos de carreira na Fórmula 1. Altos e baixos. Vitórias inesquecíveis e derrotas que doem até hoje. Parceria com o maior campeão da história da F1, Michael Schumacher. Um título perdido, dentro de casa, na última volta, para Lewis Hamilton. Um acidente que quase custou sua vida. As histórias de Felipe Massa na Fórmula são várias. Com 244 provas disputadas, 11 vitórias e 1110 pontos conquistados, o brasileiro, um dos pilotos mais queridos na categoria, deixará os fãs e quem faz a Fórmula 1 com muita saudade.

Apaixonado por velocidade desde os oito anos de idade, os primeiros pontos conquistados por Massa na Fórmula 1 aconteceram no GP da Malásia, quando guiava pela Sauber. O brasileiro, ainda uma promessa, largou em 14º lugar e, sem se intimidar, foi conquistando posição por posição. Terminou em sexto e tornou-se o brasileiro mais jovem a terminar uma prova entre os seis melhores. Histórico.

Mas os principais momentos do paulista de Botucatu ainda estariam para chegar. Foi em 2006, ano de sua estreia na Ferrari, que Massa guiou ao lado de Michael Schumacher, o maior campeão da história da Fórmula 1. Ainda garoto, o brasileiro era tratado como um irmão caçula pelo heptacampeão do mundo. E foi ao lado dele que Massa conquistou sua primeira dobradinha vestindo o macacão vermelho. No circuito de Indianápolis, o paulista terminou na segunda posição, atrás apenas de Schumi.

Já no GP da Turquia, algumas provas após a primeira dobradinha, Massa subiu ao lugar mais alto do pódio pela primeira vez. Sem esconder as lágrimas, o piloto teve ao seu lado, no terceiro lugar do pódio, Michael Schumacher.

Foi também em 2006 que um brasileiro voltaria a vencer em Interlagos. Depois de 13 anos, Massa, com o macacão verde e amarelo, fez a festa dentro de casa. Foi uma vitória incontestável. Fãs do automobilismo chorando e famílias inteiras lembrando de Ayrton Senna, último brasileiro a vencer o GP do Brasil. Foi um dos grandes momentos do piloto na categoria.

O maior momento de Felipe Massa ainda estaria por vir. Em 2008, pelo menos por alguns instantes, sentiu o sabor de conquistar um título mundial. O piloto da Ferrari tinha que vencer a prova no Brasil e torcer para que Lewis Hamilton terminasse a corrida no máximo na sexta colocação. Tudo estava saindo com perfeição.

Vitória incontestável e Hamilton terminando em sexto. Alegria, festa e muito choro tomaram conta das arquibancadas de Interlagos. Estava tudo perfeito. Tudo perfeito até a última curva do circuito. Foi neste momento que o atual tricampeão do mundo ultrapassou Timo Glock acabou com a festa de milhões de brasileiros. O grito de ”é campeão” ficou entalado. Está entalado até hoje.

A partir deste momento, a carreira de Massa tomou um rumo que não era esperado. E o pior momento da vida do brasileiro estava prestes a acontecer. Por pouco ele não perdeu a vida. Durante o GP da Hungria, uma mola soltou-se do carro de Rubens Barrichello e atingiu em cheio o capacete de Massa, que ficou desacordado e bateu a 280 km/h. Foram 11 dias angustiantes em cima da cama de um hospital, mas, felizmente, a briga contra a morte foi vencida. Sem poder guiar pelo restante da temporada, Massa teve que esperar até 2010 para poder voltar às pistas.

Ficou na Ferrari até 2013, quando decidiu que era hora de encarar mais um desafio. Assinou com a Williams, que tentava se reerguer dentro da Fórmula 1. Foram dias difíceis, mas, com todo talento e força de vontade, colocou a equipe inglesa na pole position, batendo os dois carros da Mercedes. Foi na Áustria, em 2014. Porém, não conseguiu segurar o ímpeto dos carros alemães e terminou em quarto.

O brasileiro ainda conquistaria mais cinco pódios com a Williams. Mas, sem um carro competitivo na atual temporada e sem perspectivas para o ano que vem, Massa decidiu encerrar sua carreira na Fórmula 1. Foram 14 anos inesquecíveis. Agora, são oito corridas para a despedida. Obrigado, Massa!

Por Luiz Morelo para o site Jogo em Pauta (www.jogoempauta.com)

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